O impacto do assédio sexual para a saúde física e mental da mulher
25/08/2022 • 5 min de leitura

O impacto do assédio sexual para a saúde física e mental da mulher

Além da imensa violência e os traumas causados pelo assédio sexual, o abuso sofrido por mulheres desenvolve sérios problemas para a saúde física e emocional.

Segundo estudo realizado pela organização não governamental Think Olga, entre as mais de sete mil mulheres entrevistadas, 99,6% já sofreram algum tipo de assédio no decorrer da vida e esse é um resultado é muito alarmante. Quando ampliamos esse cenário para fora de um grupo de estudo realizado no Brasil e olhamos essa situação em um cenário mundial os dados são ainda mais graves, já que de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 30% das mulheres do mundo já sofreram algum tipo de agressão física ou sexual, revelando que quase todas as mulheres que conhecemos já foram vítimas de violência sexual em sua vida social.

Para além de todo o dano emocional causado por esse tipo de violência, estudos comprovam que as sequelas deixadas pelos traumas nas vítimas de assédio sexual tendem a se manifestar por um longo período e afetam de uma forma muito prejudicial à saúde mental e também desencadeiam danos físicos sérios por toda a vida.

A luta conta o assédio à mulher precisa ir além da busca pelo fim da violência

Qualquer tipo de violência, seja ela física, moral, emocional ou de patrimônio, é inaceitável para uma vida civilizada em sociedade. Muitas pessoas são vítimas de algum tipo de violência todos os dias, mas quando se trata da violência sexual, as mulheres são as maiores vítimas. As agressões surgem de diversas formas, seja com comentários sexuais e misóginos, seja com olhares e toques invasivos, ações desrespeitosas e a violência do estupro (todo e qualquer ato sexual sem consentimento).

Ter conhecimento desse tipo de cenário faz com que as mulheres tenham uma vida de medo, pois além de estarem à mercê de qualquer tipo de sorte com relação a essa realidade, vivemos em uma sociedade machista, onde a cultura de violência contra a mulher é estrutural, fazendo da vítima a principal responsável por esse tipo de violência e protegendo a figura masculina, quando na verdade as mulheres deveriam ser acolhidas e protegidas e os agressores responsabilizados e punidos por esses atos.

Um estudo realizado e publicado pelo periódico científico JAMA Internal Medicin, revelou que mulheres vítimas de assédio tem maior probabilidade de desenvolver doenças como depressão, hipertensão, insônia, ansiedade, dores de cabeça e problemas com obesidade e anorexia. Com isso, além de todo o mal provocado pela desumana e violenta experiência vivida pelas vítimas de assédio, as sequelas deixadas pela agressão permanecem no decorrer da vida, afetando severamente a qualidade de vida dessas mulheres.

assédio

Como podemos contribuir para diminuir esse cenário na nossa realidade?

Os dados acima nos relevam o óbvio: o fim do assédio sexual é imprescindível para a qualidade de vida e bem-estar social, e em especial, para a vida das mulheres. Para isso, o primeiro passo é a educação. Repensar a forma como a sociedade, a família e as escolas educam seus meninos e meninas e como a mudança dessa estrutura machista educacional que é tão prejudicial, não apenas para as mulheres, mas para os homens e para a sociedade como um todo, é indispensável para uma real mudança do futuro social.

O segundo passo é denunciar e encorajar a denúncia. Sabemos que as leis vigentes para tais crimes ainda são muito fracas e com ações de punibilidade leves, mas ao expor esses casos é possível reforçar a urgência da necessidade de se atuar mais duramente contra essa violência. Outra ação importante é fortalecer o movimento de não culpabilização das vítimas. As mulheres agredidas precisam se sentir acolhidas, respeitadas e seguras para encontrar o apoio necessário para lidar com os traumas causados pela violência sofrida e sintam-se encorajadas para denunciar seus agressores e buscar justiça e reparação.

É preciso ainda cobrar melhorias nas leis e nas políticas públicas que visem acolher e dar suporte às vítimas de violência sexual, para que as mulheres possam encontrar suporte na lei para evitar os atos de violência, mas também poder contar com apoio médico e psicológico para lidar com sequelas físicas, emocionais e legais deixadas por esse tipo de violência.

A luta está só começando, mas unidos conseguiremos mudar essa triste realidade e viver em mundo com maior igualdade e respeito pelo corpo e vida de todos, e em especial das mulheres!

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